A ler

Pessoas curiosas

sábado, 27 de outubro de 2012

Um pássaro invulgar


    Passava todos os dias por uma casa, e sempre que olhava com curiosidade para além da janela, observava um pássaro azul numa gaiola branca. Ele chamava-me a atenção; eu passava todos os dias por lá e ele cantava quando eu passava. Havia dias que nem o queria ouvir, porque estava atrasada para voltar à minha rotina ou porque não tinha mesmo paciência e achava ridículo estar espectada a olhar para um pássaro. 
   Comecei a pensar mais no pássaro do que no meu trabalho. Eu era presa a tudo aquilo; ao meu emprego, ao café sem falta depois de almoço, ao ser cuidadosa com tudo o que vestia para não parecer o quão desorganizada estava. Eu estava presa a mim. E isso é grave. Gravíssimo. Estarmos presos a nós e não conseguirmos sair do nosso corpo para nos vermos , é horrível. Eu falava, falava, mas ninguém conseguia entender que estava presa. Ninguém ficava a olhar para mim espectado, só não tinham paciência. Eu falava e ninguém ouvia. 
   Foi aí que percebi que não vale a pena prender um coração. O instinto do pássaro é voar, então porquê prende-lo? Enquanto ele estiver naquela gaiola minúscula, não vai sair, só vai cantar , para alguém escutá-lo e deixá-lo voar. Então, enquanto eu continuar com a minha rotina medonha, só a falar, também não vou conseguir voar. 
  Agora tu, que me escutas ou me lês, solta o meu coração. 

domingo, 26 de agosto de 2012

Sol conjugado


O amor começado. As palavras trocadas. O beijo sentido. O abraço apertado. Os momentos vividos. Os sonhos conjugados. A esperança construída. As noites unidas. O pequeno-almoço partilhado. O céu contemplado. A imperfeição perfecionista. O amor nascido com o sol, mas o sol ainda não nasceu. O particípio passado tornou-se num particípio futuro.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sou eu que mergulho em ti ou tu já estás em mim?


Ao observar os teus olhos tão atentamente, dou comigo a mergulhar em ti. Porque é que eu não consigo olhar-te disfarçadamente e não cair nesse azul tão profundo?
Ao mergulhar nas profundezas, vejo o meu reflexo em todos os sentidos. É esta a sensação de ver-me.Realmente os teus olhos são os mais lindos, apesar de nunca ter mergulhado noutros. Porque é que eu não consigo olhar-te em vez de observar-te?
Sou eu que mergulho em ti ou tu já estás em mim?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Caminhos longos


Caminhos longos que atravesso todos os dias em busca de algo que nem eu sei o que é. Será conforto, esperança ou felicidade? Não entendo o motivo de haver tantos caminhos longos no meu dia-a-dia. Eu quero caminhos pequenos onde possa escolher a direcção a seguir. Quando chego a meio do percurso já me sinto cansada, de certo modo exausta. Então, torna-se impossível chegar ao fim, que nem sei onde fica concretamente. Não o vejo. Não posso tocar-lhe. Caio de cansaço, mas levanto-me.

E se a caminhada for em vão e o fim um precipício? Enquanto ando e ando, em que penso? Agora que reflicto nisso, não sei no que penso. Penso em nada? Ou penso em tanto que nem consigo dizer tudo aquilo em que penso? Penso em tudo e em nada.

E se o fim do meu caminho longo em busca de conforto, esperança e felicidade estiver apenas numa pessoa?

O meu caminho destina-se a ti.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Viver


“É loucura deixar de beber café porque um te soube mal. Deixar de sonhar porque um dos sonhos não se realizou. Desistir de tentar porque tudo fracassou. É horrível condenar todas as amizades porque uma te traiu. Deixar de acreditar de todo o amor porque um deles te foi infiel. É cruel deitar fora todas as oportunidades de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Lembra-te sempre que há outra oportunidade, uma outra amizade, um outro amor e uma nova força. Para todo o fim um começo.”

domingo, 22 de julho de 2012

Carta perdida



"Um dia vais dar conta do quanto eu te amei, do quanto eu valorizei o nosso amor, do quanto eu merecia que tu correspondesses da mesma maneira. Um dia vais olhar para trás e quem vai valorizar, és tu. Eu quero que te arrependas por teres aberto mão de tudo na primeira dificuldade. Será que um dia vais perceber que eu, no teu lugar, teria aguentado tudo por nós os dois? No teu lugar, eu tinha feito diferente, eu teria dado mais oportunidades, mais duas, três ou quem sabe quatro. E hoje, eu pergunto-me se depois de tudo, o que sentias era amor. E hoje eu duvido de tudo e nada, porque pelas tuas atitudes e pelas tuas palavras nada correspondia ao amor que dizias sentir. Mas eu só quero que saibas que continuo a lembrar-me de ti quando vejo alguém com as mesmas manias que tu, quando alguém fala da mesma maneira que tu falas. Apesar de haver muito de ti nas outras pessoas, ninguém seria capaz de substituir-te. Afinal tudo o que vem de ti, só faz sentido se vier directamente de ti. O tempo passou, e eu ainda tenho saudades de ir dormir com um sorriso tonto por tua causa. O tempo passou e eu ainda tenho saudades de ouvir a tua voz. O tempo passou e eu continuo a ler as tuas cartas, sem saber se sorrio ou choro. E o tempo passou, e eu continuo aqui, sentindo falta de nós."

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Orgulho

- Quem não procura não sente falta. 
- Enganas-te. O coração implora para voltar o dia inteiro.
- Então porque não volta?
- A saudade é grande, mas o orgulho é ainda maior. 

sábado, 14 de julho de 2012

Vamos alugar ou comprar uma casa?


Vamos alugar uma casa. É óbvio que não vamos ser o casal perfeito. Teríamos uma vivenda com piscina e vista para o mar e um cão grande de pelo branco, muito improvável visto que não gostas de cães. Ias reclamar comigo por eu ligar a água do chuveiro horas antes de tomar banho. Eu, por teres estragado o meu livro favorito com café. Eu nunca admitia o quão bonito és quando ficas zangado e tu não admitias a cor da minha camisola no nosso primeiro encontro. Discutiríamos sobre a cor dos cortinados, do sofá e até mesmo do tapete. Não arrumaríamos a casa diariamente e passeávamos todos os dias. O frigorífico só teria gelados e Ice Tea e os armários porcarias. Todos os dias adiaríamos o despertador milhões de vezes só para ficarmos na cama abraçados a falar.Tu irias ensinar- me coisas de futebol e eu dar-te-ia vernizes para aprenderes a pintar-me as unhas. Por vezes vamos estar na sala de pijama e pantufas com uma manta a aquecer-nos a vermos as notícias e eu comentava o quanto não percebes nada de economia. Irás saber o nome do meu perfume e eu o código do teu cofre. Sairíamos para jantar num dia chuvoso, e não nos iriamos importar de chegar a casa e molhar o chão todo. Adormecíamos com o computador e a televisão ligada. Por vezes nos beijaríamos no meio de alguma frase. Eu ria sem motivo e tu perguntavas-me porquê, eu não respondia porque ambos sabíamos a resposta. Vamos alugar uma casa ou preferes comprar?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eu apenas


"Eu quero, mas não sei demonstrar. Eu penso, mas não falo. Eu preciso, mas não chamo. Eu amo, mas não assumo. "

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Uma viagem com ou sem regresso?





  Ainda é tão cedo e já estou de partida para longe muito longe daqui, apesar de a distância ser relativa, para mim está viagem é mesmo longínqua. Para uma formiga meio metro já é imenso, tal como vinte quilómetros para uma pessoa correr e para mim 7701,1 km de Lisboa a França são tão imensamente grandes…


   O avião acabou de partir, e esta coisa da turbulência faz-me imensa confusão, parece que fico sem ouvir por breves instantes e quando volto a ouvir tudo parece que tenho uma capacidade auditiva de um cão. Só de pensar que daqui a duas horas mais ou menos, estou a pisar um país completamente diferente do meu é complicado. Nunca pensei passar por isto tão cedo. Eu tento evitar o termo certo quando falo desta viagem porque custa-me. Quando contei aos meus amigos que tinha de ir embora tentei esconder a ideia real, que tinha de ir porque a família estava com problemas económicos e possivelmente voltava só no Verão se os meus país arranjassem logo emprego.Mas eu dizia sempre que voltava brevemente para afastar a ideia que podia nem vir a Portugal durante alguns anos. Mentia a mim própria realmente e agora choro porque mentir-me não faz bem. Estas nuvens que escondem tudo o que reside em mim, é aqui que eu deixo o meu ser, tudo de mim. Deixo a minha restante família, os meus amigos, as pessoas que já são do meu quotidiano como o homem que está sempre no café e deseja-me um bom dia.

   É verdade que lá longe onde fica a famosa Torre Eiffel vou conhecer novas pessoas que quem sabe passarão a ser minhas amigas, certamente vai haver alguém que me irá desejar o bom dia mas em francês. Todos os locais e pessoas vão ser estranhos para mim , é como meter uma tartaruga fechada num aquário. Eu vou tentar sair , nadar , vou bater com a cabeça mas sei que a única solução é ficar lá longe de tudo mas a tartaruga nunca desiste de tentar escapar e eu vou fazer mesmo. Quando for o momento certo eu regresso, afinal tudo o que vai, volta.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ironia da vida



Eu digo que gosto da chuva e do frio mas, abro sempre o chapéu e visto roupa mais quente. Pelo contrário oiço pessoas dizerem que gostam do Verão mas, tentam sempre procurar uma sombra. Quando estou de férias, sinto vontade de ir para a escola mas passado uma semana de aulas quero voltar a ter férias. Sinto-me bem sentada em frente a uma lareira, contudo depois de uns minutos já dou por mim a afastar-me. Gosto do escuro mas ligo o candeeiro. Adoro cães mas não suporto pelos na roupa. Gosto de comer gelados mas depois bebo água. Isto é a ironia da vida, gostar não é tudo.

sábado, 12 de maio de 2012

Uma carta de muitas


                                                                                                                     Porto, 14 de Fevereiro de 2001
Querido,
Eu magoei-te ou desiludi-te? Devia sentir-me culpada? ou culpar outro alguém? Eu conheço-te bem demais mesmo antes de ter trocado a primeira palavra contigo, culpo-me de ter visto o fim mesmo antes de ter começado. Tu és único para mim. Tu estás longe mas mesmo assim tomas contas dos meus sonhos e quando acordo tu destróis tudo em mim. Eu já te vi sorrir, chorar.. observei-te a cada segundo que a minha mão acariciava a tua cara enquanto dormias. Eu não me importava de passar uma vida inteira contigo porque já conheço tudo de ti e gosto de tudo o que sei sobre ti, conheço os teus medos, os teus sonhos e as tuas alegrias. Nós já estivemos tão bem, será natural agora termos as nossas dúvidas?
Ainda guardo as nossas fotografias numa gaveta desarrumada e ela está um caos porque eu remexo e remexo á procura da fotografia que transmite mesmo felicidade e não a encontro. As fotografias só me transmitem traição- traição do tempo- as fotografias fazem com que eu pense que a vida é um filme, e ao olhar para elas consigo carregar no botão " pausa " mas não funciona, estará estragado?
Tu mudaste os meus planos, a minha vida e finalmente percebo que o amor é cego e soube disso quando percebi que o meu coração estava cego por ti.
Um beijo do teu eterno amor.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Silêncio


"- Não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio."

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os relógios que nos comandam



   O Mundo está sob um cronómetro que ninguém consegue parar.
   Vivemos em função do tempo, ele é o comandante da nossa rotina diária. Tudo se baseia no tempo.
Diariamente vejo pessoas a correrem para o trabalho para não chegarem atrasadas, conheço pessoas stressadas, o autocarro de manhã está sempre cheio e quando por algum motivo o autocarro para por breves minutos, alguém diz para o motorista:” Pode despachar-se?”- pois esse alguém tem algum compromisso, nem que seja uma consulta, uma reunião, levar o filho á escola, ir ás compras…-  Essa pessoa vive a correr, não tem tempo para observar o céu, o sol, as formigas que ele pisa… A Natureza da vida! Será que esse alguém consegue reparar nas pessoas que o rodeiam?
   Devia haver um dia onde não houvesse tempo, onde não houvesse a existência de relógios nos pulsos das pessoas, nos telemóveis, na ruas; Um dia em que o relógio gigantesco e maldoso não nos comandasse.
Nesse dia não havia pessoas a correrem stressadas, não víamos as ruas tão cheias, possivelmente conseguíamos ver pessoas a olharem para coisas que nunca repararam, como os pormenores do chão que pisam diariamente, os detalhes de um monumento, nesse dia, as pessoas iriam dar valor ás coisas que não notam no dia-a-dia.
   E se esse dia existisse mesmo, nunca mais iria haver tempo, nunca mais iriamos ver relógios nos pulsos das pessoas a comandarem corpos. Nunca mais iriamos acordar com o “ pi pi pi” do nosso despertador, nunca mais ouviríamos alguém dizer :” isto é uma perda de tempo” , pois não havia tempo, podíamos arriscar porque teríamos a certeza que números não iam comandar a nossa vida.
  Alguém pode dizer-me onde está o relógio que comanda o nosso Mundo? Digam-me, eu quero tirar-lhe as pilhas ou parar de lhe dar corda ou até mesmo meter no  “stop". 
    
                                                                                                                                (Verídico)

sábado, 14 de abril de 2012

Aprende-se sempre qualquer coisa



    Tento pensar nas minhas memórias loucas e ingénuas, até chegar ao ponto que me deparo que já aprendi imensas coisas por causa delas ao longo do tempo.
    Fundamentalmente aprendi que aprendo com os meus próprios erros e confesso que já cometi alguns. Aprendi que crescer não significa fazer anos; que amores eternos podem ficar por uma noite; que conquistamos as pessoas mostrando aquilo que somos e até os grandes amigos podem tornar-se nossos inimigos; que uma bela face esconde muitos defeitos; que o “nunca mais” nunca se cumpre e que o “para sempre” sempre acaba; que uma palavra ou gesto pode alegrar o nosso dia; que só devemos dar a nossa opinião quando nos pedem; que hoje brincamos mas amanhã podemos ser o brinquedo; que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno; que perdoar não significa esquecer.
    Vou tentar mais uma vez arrumar as minhas memórias e arrumá-las em gavetas bem fechadas e deitar a chave fora, afinal de contas aprendi imenso com elas e agora só tenho de pensar que o tempo está a meu favor.

                                                                                                                                    (Verídico) 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Duas perspectivas



  (Pensamento de uma mulher) 
  Enquanto espero por ele, vou reparando na paisagem bela que me rodeia.
  Estou numa esplanada de um café onde posso observar o imenso mar azul, ao longe, quase no horizonte consigo ver um navio, quando olho para baixo, vejo pessoas na praia, umas na toalha a bronzearem-se, outras na água a boiar e consigo ver as crianças a brincar, algumas a correr, outras a fazerem castelos de areia, o céu está azul e o sol está no alto muito brilhante. Ao meu lado tenho pessoas a beberem café e a conversarem. Um pouco atrás de mim está uma senhora muito atarefada com um bebé ao colo a chorar.
Estava a olhar para a praia, enquanto oiço alguém a sentar-se, o barulho da cadeira a raspar no chão fez-me arrepiar. Era ele, finalmente. Oh como estava lindo! Já o vi tantas vezes, mas hoje está diferente aos meus olhos.
  Veste uma t-shirt verde com um logótipo muito engraçado, demonstra um pouco a sua personalidade, tinha uns calções de ganga e calçava uns ténis, que por acaso fui eu que os ofereci. Faz-se acompanhar por uma prancha de surf o que distrai o bebé que chorava atrás de mim.
  Creio que está um pouco incomodado, pois o reflexo do sol na mesa encadeia-lhe os olhos castanhos, quando vejo aqueles olhos fazem  tanto lembrar-me tudo aquilo que já passei com ele, para mim aqueles olhos contam-me uma história, admito que evito olhar-lhe nos olhos, por medo de cair naquela história tão perfeita.
  E quando ele fala, o meu mundo pára por completo, tem uma voz  tão melancólica, o que se passa com ele? Eu lembro-me, a voz dele não era assim, era uma voz que me transmitia alegria.
  Para evitar aquele olhar feroz e ouvir apenas aquela voz, olho para a mesa e vejo o meu reflexo, e toco na mesa, como se tivesse a tocar na minha face, acaricio a minha cara, tal como ele me fazia e tento relembrar-me do toque dele, era um toque quente e fazia-me sentir segura. A mão dele está também sobre a mesa a pouca distância da minha.
 Está na altura de agarrar-lhe na mão e perguntar-lhe o que se passa com ele. 



  (Pensamento de um homem)
  Estava eu sentado á sua frente quando reparei bem o quanto ela era bonita, apesar de já a ter visto infinitas vezes, naquele dia ela parecia diferente. Não sei se era porque se tinha arranjado melhor, o que duvido, ou se porque poderia ser a última vez que a veria. Aquele cabelo loiro encaracolado tão brilhante, que sobressaía com a sua pele bronzeada devido ao sol que tinha apanhado no Brasil. Aqueles olhos azuis mais límpidos do que o próprio mar e céu que nos rodeava naquela tarde calma na esplanada. Aqueles lábios carnudos pintados com um tom vermelho, tão vivo que pareciam chamar-me. Aquele vestido branco rendado que lhe aperfeiçoava a silhueta, e que realçava ainda mais a sua beleza. Aqueles vários acessórios, desde relógios caros com várias cores a anéis cintilantes, colares de pérolas e brincos que faziam barulho como os espantam espíritos. Aquela beleza toda dela, que só agora eu tinha reparado com mais pormenor, talvez tarde demais…
  Ela é simples, não gosta de grandes complicações, no entanto está sempre a arranjá-las. É compreensiva, simpática e de certo modo algo teimosa. É muito ciumenta, e não tem razões para isso. É despachada e odeia atrasos, coisa que eu várias vezes faço. Tem um grande sentido de humor, que só utiliza nos momentos indicados.
  Naquele momento, quando estava a olhar para ela, consegui ver perfeitamente as suas imperfeições e a sua beleza natural. Consegui ver os seus defeitos e as suas virtudes, e não queria que isso acabasse, portanto achei melhor contar-lhe tudo de uma rajada e não deixar mais suspense. Agora só quero tê-la aqui ao pé de mim.


(O segundo texto, "(Pensamento de um homem"),  não é da minha autoria mas sim de uma amiga minha, Rita Alves, que ajudou-me a criar duas perspectivas de um casal.) 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Quando o amor foge por entre os dedos


  Combinaram encontrar-se ás 18:00 num café em Lisboa.  Eu não acreditei quando me contaram que eles se iam encontrar, após tantos meses separados, que pareciam anos para ambos.Era Domingo, ela saiu de casa meio nervosa, pelas 17:45 para conseguir chegar a horas ao encontro, sem saber se o caminho que estava a percorrer era o correto. Contaram-me que ia de vestido e sandálias, e quando passava pela rua, todas as pessoas olhavam para ela. Hoje penso se seria pela sua beleza ou pelo barulho dos saltos altos na calçada.  Ele saiu de casa de um amigo onde agora passa os dias para distrair-se e afastar o pensamento dela. Mesmo tentando distrair-se ela ainda ocupa o seu dia-a-dia, o que lhe provoca um buraco no coração. Saiu também com algum tempo de antecedência para não chegar depois dela.  Na hora marcada, estavam os dois no café, sentados à espera um do outro. O problema é que não estavam no mesmo café, provavelmente entre as mensagens que trocaram um dos dois percebeu mal a indicação do café, então foi parar a um sítio totalmente diferente.Ela esperou uma hora por ele, pudesse ela adivinhar que ele também estaria na mesma situação que ela.  Desde aquele dia, nunca mais trocaram palavras como era habitual nos últimos dias, por causa de um mau entendimento de moradas, o grande amor fugiu-lhes por entre os dedos.Ela pensa que ele não apareceu por medo e ele pensa que ela não apareceu porque arranjou um novo amor.   


domingo, 1 de abril de 2012

Ilusões



"Não adianta olhares para o telefone mil vezes durante um minuto – isso não vai fazer com que a pessoa te ligue. Não adianta esperares ouvir o bater da porta, se sabes que a pessoa, pelo menos por agora, não vai chegar. Não adianta correres até ao outro lado da cidade, se tens a perfeita noção de que esse alguém não vai estar lá, do outro lado. Não adianta chorares para te certificares de que ainda vives, sem a tua “vida”, ou para teres a certeza de que a pessoa ainda vive em ti e está presente, pelo menos em cada lágrima. Mas é complicado, porque o telefone parece tocar de minuto a minuto, mas é ilusão; parece que ouves alguém bater na porta, mas são as saudades; do outro lado da cidade avistas alguém, mas não é quem tu querias – é só uma pessoa parecida à tal pessoa. Calma, aguenta, supera. Ninguém fica para sempre, mas também ninguém se vai para sempre. Eu te garanto.”

quarta-feira, 28 de março de 2012

O passado


"Tudo o que aconteceu antes, é uma folha seca que caiu de uma árvore morta. A árvore foi cortada. A folha, esmagada por pés, misturou-se com a terra, por isso, agora, só existe a lembrança de árvores...Eu sou a doença que corrói a casca das árvores. Sou ferrugem e gravidade. Nos meus sonhos estamos de novo juntos e a minha mãe está feliz. Mas, depois, todas as folhas caem das árvores... e o meu pai vai-se embora. Chamo por ele, mas onde quer que ele esteja, não me pode ouvir."

segunda-feira, 26 de março de 2012

Homem da minha vida



   Enquanto vagueio pelas ruas, penso em ti. Não sei porque surges no meu pensamento, podia estar a pensar noutra coisa qualquer mas és tu que preenches a minha cabeça por completo.
   Tu ainda não apareceste na minha vida, ou se apareceste andas escondido sem dizer-me nada, ou até já podes ter aparecido e fazeres parte do meu dia-a-dia mas por alguma razão ainda não foi o momento certo para ficarmos juntos. Eu tento imaginar a tua imagem, mas formo sempre na minha consciência o retrato de um homem perfeito mas eu não posso pensar desta maneira, afinal ninguém é perfeito. Eu até já te posso ter visto por aí e nem te ter ligado nenhuma. Já nos podemos ter encontrado por acaso num centro comercial ou numa praia. Será que ainda andamos escondidos um do outro e tu estás no outro lado do mundo?
   Eu quero fazer-te o homem mais feliz de todo o planeta mesmo com os meus defeitos a atormentarem-te. Posso confessar-te que quando quero sou bastante persistente ao ponto de ser chata. Preciso que falem, me abanem para eu conseguir acordar, e quando começo a abrir os olhos digo logo :” Não não não! Logo tenho de deitar-me mais cedo” coisa que raramente acontece. Vão ser raros os dias em que não me vejas a sair de casa com o cabelo molhado mesmo no Inverno, tu certamente bom companheiro como serás vais avisar-me: “Não tomes banho de manhã, depois diz que te dói a garganta” e eu nem vou responder. Vão ser poucas as vezes que vais conseguir ver-me a lavar a loiça porque já o faço e é contrariada. Muitas vezes vou discutir contigo por coisas ridículas, como por exemplo deixares a pasta dos dentes aberta ou algo assim. Mas não me dês ouvidos nesses momentos, pois até eu sei que não vale a pena. Vai haver dias em que vou estar um bocadinho mais insuportável que o normal, mas quase todas as mulheres têm esse sintoma, portanto tenta compreender-me nesses dias mais nublados.
   Em contrapartida, nos dias menos cinzentos, praticamente céu limpo vou compensar-te dos dias mais nublados que te provoco. Quando acordar, e disser a minha frase habitual, vou olhar para o lado e ter-te ali, e nesse instante tu vais ser a inspiração para o meu dia. Vou começar a influenciar-te desde o início para tomares banho pela manhã e assim já não poderás reclamar comigo. Possivelmente não me verás muitas vezes a lavar a loiça é verdade mas se estiveres a ajudar-me talvez acabe por faze-lo. Nos dias mais cinzentos quero deitar-me no sofá contigo a ver um filme, quero ir passear contigo a um sítio que gostes, quero que façamos de tudo de forma a diminuir a probabilidade de discussões. Eu vou mesmo fazer-te feliz, por ti irei correr riscos nem que sejam os mais perigosos.
  Não te esqueças que também vais ter de cumprir com a tua parte, não te peço para seres perfeito, peço sim para seres sempre sincero comigo e eu prometo-te o mesmo.
  Nestas ruas, cruzam-se comigo centenas e centenas de pessoas, contudo ainda não te tenho aqui ao meu lado a caminhar comigo mas também não tenho pressa, afinal o que tiver que ser será.

                                                                                                                                       

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palavras para quê?

                                                             "Quando o sentimento é grande, as palavras não chegam"

segunda-feira, 19 de março de 2012

Uma chamada e uma visita


Ela: Oh… Olá. Já paraste para pensar no tempo que estamos a desperdiçar por uma discussão patética? Podias estar aqui ao meu lado a contar-me como tinha sido o teu dia e por causa disso ainda podíamos rir à gargalhada por coisas engraçadas que te acontecem diariamente. Por fim, meio desprevenido, dava-te um beijo meio envergonhado, e tu dizias-me “conta-me lá agora o teu dia oh” e eu dizia-te para não desperdiçarmos tempo com o meu dia sem graça nenhuma. Mas tu não estás aqui, nem no nosso quarto, nem da nossa sala, nem em parte nenhuma da casa. Estamos separados fisicamente mas continuo a pensar em ti o dia todo.
Ele: Sim sim, tu sabes...
Ela: Não não. Não me interrompas! Estou a ligar-te para perguntar-te se achas que vale a pena estarmos assim por uma discussão sem fundamento. Mas espera, não precisas de responder-me, eu só te queria dizer isto, dizer-te o que sinto. Eu não quero discutir mais contigo. Agora vou ter de ir preparar o jantar e ainda tenho cá aquele gelado que deixaste, talvez hoje coma um bocadinho, é realmente bom, já sei porque gostas tanto! Vou começar a comprar aquele gelado todos os dias, como tu fazes. Admito que é uma forma de te sentir por perto. Bem…
Ele: Eu vou já para aí.
Ela: Queres assim tanto gelado?
Ele: Sim, acabou cá em casa. Não tonta, vou aí porque te amo. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Memória, vens agora?



  Enquanto fazia uma arrumação profunda ao meu armário que coleciona os meus primeiros livros até ao último que comprei, senti algo cair nos meus pés. Depois de pousar os milhões de livros que tinha nos meus braços consegui ver o que tinha caído de dentro de um livro, apenas uma fotografia.
  Estava rodeada de coisas que marcaram a minha infância, os livros, a fotografia, os desenhos que fazia para oferecer à minha mãe, mas por onde andavam as memórias? Eu não me recordo de nada. Não me recordo de ler aqueles livros nem de fazer desenhos para oferecer à minha mãe, talvez em troca de ela comprar-me uma barbie, muito menos lembro-me de tirar uma fotografia a andar de baloiço. Por onde andam memórias?
  Eu adorava lembrar-me dos dias em que acordava de manhã para ir ver desenhos animados para a sala, de ir para a cama dos meus pais aos domingos de manhã na esperança que eles acordassem e se levantassem para irmos ao parque jogar à bola. Gostava de lembrar-me do meu primeiro dia de aulas e de como eram as manhãs cá em casa, deviam ser atarefadas, sempre ouvi dizer que me recusava a ir à escola. Será que todas as pessoas que se deram comigo nesse tempo, ainda se lembram de mim? Eu gostava de lembrar-me delas. Gostava de saber com quem é que jogava às escondidas. Adorava ainda ter todos os meus brinquedos, admito que ainda guardo alguns, mas vão perdendo o significado ao longo do tempo, pois a memória já teve melhores dias, e para quê guardar uma coisa que daqui a uns tempos nem sequer me vou lembrar que é minha?
   Oh memória, tu ás vezes voltas, e eu aproveito esses momentos para expressar todas as lembranças que me dás num papel, mas às vezes não vens nas melhores alturas. Por vezes quando passo ao lado da escola onde aprendi as bases de quem sou hoje, tu trazes-me recordações, por vezes visões, deparo-me comigo a correr ali, sorridente, a gritar, com as bochechas já rosadas mas nota-se que estava feliz! Mas nesse momento eu não tenho tempo para pegar num papel e descrever aquilo que vejo.
   Vem agora, eu tenho tempo e papel que chegue. 

terça-feira, 13 de março de 2012

Sorrisos



   Nasci para sorrir e para fazer os outros sorrirem. Um sorriso é como um segredo, demonstra coisas que só um bom interprete consegue perceber.
   Eu sinto falta de sorrisos sinceros. Gosto de ver sorrisos espontâneos e com uma música de fundo, conhecida como gargalhada. Confesso que a maior parte do dia passo a sorrir e quando não sorrio o meu olhar fala por mim. Tenho um sorriso nervoso, envergonhado e espontâneo, tudo depende do momento que estiver a passar. Admito que por vezes um sorriso vale mais do que mil palavras e eu prefiro entender um sorriso do que entender uma frase.
   Até os momentos menos bons podem ser passados com o sorriso, uma conversa “ proibida “ pode ter a presença de um sorriso. Acredito que um sorriso se vai construindo ao longo dos dias, é uma tarefa diária, pois a vida tem que ter um toque de humor. 
  
                                                                                                                                                (Verídico) 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Lápis, caneta, borracha



       Nós temos um livro que todos desconhecem. Eu era o lápis, tu a caneta e ela a borracha.
       No início da nossa história, a nossa primeira página, estava tão linda! Fizemos uma letra perfeita, eu não queria que tu pensasses que eu tinha uma letra horrível e tu deves ter feita uma letra tão bonita pelo mesmo motivo. Eu passava os dias a escrever e tu auxiliavas-me, eu escrevia em todas as páginas que podia e insistia que passasses por cima do que eu tinha escrito para ninguém poder apagar as minhas doces palavras. Eu pensava que tu a meio da noite fazias o que eu te tinha pedido…
      Agora quando abro o livro que tanto me empenhei a escrever para ti, não vejo nada a não ser as folhas brancas. Afinal, gastei minutos, horas, dias da minha vida a escrever para ti para quê? Eu pensei que tu por entre linhas compreendesses aquilo que eu te queria transmitir. Trocaste palavras doces de um lápis pela querida e tua amiga borracha.
     Visto que apagaste todas as minhas palavras, podes também apagar-te do meu coração?

domingo, 4 de março de 2012

Escrever


" Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada dizer." 

sábado, 3 de março de 2012

Um bocadinho de mim



Gosto de responsabilidade. Gosto de saltar. Gosto do silêncio. Não gosto que invadam o meu espaço sem pedir autorização. Gosto do exagero. Gosto de escrever. Gosto de ler. Gosto de drama. Gosto de ouvir historias de amor. Gosto de dar e receber. Gosto de fotografia. Gosto de olhos azuis. Não gosto de atrasos. Gosto de confrontos. Não gosto que as pessoas não assumam o erro. Não gosto de conflitos. Gosto de sorrir. Gosto da sensação de estar nervosa. Gosto de luz mas também das sombras. Gosto da ternura. Gosto daqueles de quem gosto. Gosto de ouvir música. Gosto de acordar tarde. Gosto da cor do céu e do mar. Gosto de aprender e ensinar. Gosto de ouvir o som da chuva. Gosto de falar e ouvir. Gosto de dizer " sim ". Gosto de pessoas positivas. Gosto de sonhar e realizar os meus sonhos. Gostei de muita gente, que hoje em dia já não gosto. Gosto de fazer rir. Gosto de aconselhar quando me pedem ajuda. Gosto de gelado de morango. Gosto da minha família. Gosto do nome Luz. Gosto cada vez mais do meu nome. Gosto de ver beleza natural. Gosto de ver o por do sol na praia. Gosto de ser abraçada de repente. Gosto de desenhar. Gosto de pensar no escuro. Gosto de chocolate quente nas tardes de inverno. Gosto de ver filmes acompanhada. Gosto de falar ao telemóvel. Gosto de olhar nos olhos, coisa que antigamente não gostava. Gosto de anéis, fios e pulseiras. Gosto de vestir roupa branca. Gosto que me sussurrem ao ouvido. Gosto de receber um “ bom dia “ logo pela manhã. Gosto de olhar para o céu limpo à noite. Não gosto de trovoada. Não gosto de pessoas que estão sempre a lamentar-se. Não gosto que me olhem de cima a baixo. Não gosto de leite natural. Não gosto de esperar. Não gosto de caras sérias. Não gosto de lâmpadas de cor branca. Já gostei de sopa. Já gostei de acordar cedo para ir ver televisão. Gosto de histórias infantis. Gosto de passear. Gosto de andar de autocarro. Não gosto das cadeiras da escola. Gosto de Cascais. Não gosto de ouvir palavras que se tornaram banais nos dias de hoje. Gosto de vaidade. Gosto de entrelaçar as mãos. Gosto de coisas que não devia de gostar. Gosto da ideia que os gostos vão alterando-se. 


                                                                                                                                           (Verídico) 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Não acreditei



Hoje ouvi:"As lágrimas de uma mulher são como ácido na alma de um homem" . E eu não acreditei.

                                                                                                                                   (Verídico)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Demais



“O problema foi por ser sempre demais. Eras tu a ser sempre demais, nós a sermos demais, o meu sentimento a ser demais. Até o tempo se tornou demais. Eu acabei por ficar a mais de tantos demais que haviam e ainda existem.
  Isto não é mais que uma coisa a mais, procurei ficar-me pela metade, pela minha metade, quis que não fosses mais que a minha metade, achei conseguir substituir(-te), mas isto não é amor, meu amor, é mais que amar-te, são todos os “amar” da terra juntos.
  Quando me pedem para definir a dor, só sei que me dói, dói-me pelo corpo todo, a tua ausência magoa mais que qualquer outra coisa. Custa-me ver os teus dias tão cheios e os meus dias tão vazios de ti. Nós éramos uma mistura de tudo e nada, que completava todos os poros da minha pele, estás em mim por todo o lado. Ainda és quase tudo na minha vida, ainda és tudo quando me refiro ao coração. És o impossível que alcanço todos os dias. Não há um dia na minha vida em que não estejas em mim, em que não sobrevoes nos meus pensamentos minuto a minuto, estás em mim em tudo o que ainda sou, e em tudo o que ainda faço. Parece impossível não é? Mas o parecer é sempre tão relativo…
  “Como é que se ama alguém que já nem está para ai virado?”, perguntaram-me no outro dia. É fácil… Fácil demais, o amor nunca morre quando acaba, há sempre um dos dois que fica com feridas talvez até ao resto da vida, a frase feita de que tudo se esquece, não é mais que uma mentira, há coisas que nos marcam até ao fim, é como se eu caísse e ficasse com uma cicatriz até ao fim da vida, é isso, há pessoas que são a nossa cicatriz “para sempre”. Tu de certa maneira marcaste toda a diferença. Marcaste pelo melhor e pelo pior. Marcaste tanto que passado este tempo todo ainda me apaixono todos os dias por ti, mesmo tu nem estando para aqui virado. É ficar sempre do outro lado da caixa a ver sem poder tocar, a desejar o melhor sem poder dizer, ver-te e sobretudo observar-te.
   Eu guardei memórias do melhor de ti e do pior de nós. Amei-te em todos os milésimos de segundo. É como ir a trezentos numa auto-estrada e aparecer um carro de frente, foi um embate, que acabou comigo, sobrevive-se mas já quase nem se vive. Ou se sobrevive, ou se apaga de vez. Há dias em que quase que vivo, e outros em que quase me apago.
E isto não passa num instante, por não te ter como um constante na minha vida.“ 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Eu sou feliz. E tu, és?



   Tu caíste. Eu levantei-te. Tu precisaste de uma mão. Eu dei-te. Tu correste. Eu corri contigo. Tu falaste. Eu ouvi-te. Tu quiseste um apoio. Eu estive. Tu enervaste-te. Eu acalmei-te. Tu choraste. Eu limpei-te as lágrimas. Tu fizeste perguntas. Eu dei-te algumas respostas. Tu precisaste de mim. Eu estive para ti. Tu tropeçaste nos teus próprios sonhos. Eu dei-te a força de que precisavas para os reconstruir. Tu falhaste. Eu ignorei as tuas falhas. Tu achaste-te fraco. Eu mostrei-te o quão eras forte. Tu precisaste de companhia. Eu fui contigo. Tu fulminaste loucuras. Eu corri atrás delas. Tu planeaste coisas parvas. Eu segui os teus planos.
   Tu querias que eu fosse perfeita. Eu falhei. Tu deixaste-me sozinha. Eu caí. Tu deixaste-me no chão. Eu precisei da tua ajuda. Tu não me deste. Eu fui sincera. Tu foste cínico. Eu perdoei-te tudo. Tu acabaste como os outros.
   Eu sou feliz. E tu, és?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Camisola de lã



Artigo: Camisola de lã.
Defeito: Ser fria.
  Eu sou comparada com uma camisola de lã e o meu defeito é ser fria.
Habitualmente uma camisola de lã tem de ser quentinha e confortável, é o que todas as pessoas que compram camisolas de lã para o Inverno pensam. Mas será que não pode haver camisolas com defeito?
  Foram buscar-me e talvez interessaram-se por mim, pela beleza, uma camisola de lã com várias cores: beje, vermelho e azul com uma grande gola. Certo dia, enquanto chovia e o termómetro registava dois graus, fui vestida. A pessoa viu-se ao espelho e elogiou-me.
  Quando saí para a rua, comecei a ouvir insultos por não conseguir aquecer a pessoa. Mas será que a culpa era minha? Eu sei que não era perfeita, tinha “ buracos “ por onde entrava aquele frio que fazia aquele corpo arrepiar-se. Mas eu era assim porque já tinha sido atingida por demasiadas lanças. Porque razão a pessoa antes de criticar não tenta arranjar soluções?

                                                                                                                          

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Imaginas o que é amor?



"- Gostas mesmo dela?
- Quando acordo, no momento que ainda estou a espreguiçar-me sonho acordado em tê-la ao meu lado para lhe poder desejar um “ bom dia “. Sabes lá tu o que eu sinto quando estou com ela, quando toco nela, quando a beijo, quando ela me abraça e dá-me miminhos, o meu mundo pára e mesmo que estejamos acompanhados por uma multidão, na minha cabeça está só ela ali. Sabes lá tu o quanto o meu coração palpita quando a vê ao longe, e o vazio que sinto quando não estou com ela. Se isto não for amor… então eu nem quero imaginar o que é amor. " 


                                                                                                                                                 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Doze badaladas


"Até baterem as doze badaladas posso viver na ilusão de ouvir da tua boca as palavras que desejo." 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Querida Saudade


   Podes deixar-me por cinco minutos? ou cinco minutos é demais para ti? Quero que me deixes, nem que seja um minuto. Quero acordar e não ouvir logo a tua voz na minha cabeça a ecoar:"estou aqui, bom dia!".
   Saudade, existes há tanto tempo no meu quotidiano porquê? Fazes questão de ser a minha companhia o dia inteiro, desde que abro os olhos até ao momento em que os fecho. Torna-se cansativo seres a minha maior companheira ultimamente. Fazes com que o meu dia se torne cinzento mesmo que esteja um sol radiante. Não consigo sorrir nem falar. Por tua culpa, chego ao final do dia a questionar o porquê de me ter levantado de manhã.
  Portanto, Querida Saudade, chegou o momento de deixares de estar sempre comigo e vai ter com ele, daqui a uns tempos susurra-me como é que ele passou os dias contigo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

                                       

"O coração tem razões que a própria razão desconhece." 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Para ti tornei-me cega



     Finalmente puseste o teu orgulho de lado e tiveste a decência de vir falar comigo. Pensava que fosses mais forte e enfrentasses o problema pessoalmente, porque não? Seria possível, até porque os nossos olhares cruzam-se todos os dias.
     Fiquei surpreendida, admito, quando abri a mensagem, não fazia ideia que fosse tua, para ti dizia o essencial: ”Preciso muito de ti, amo-te”, mas para mim não foi nada demais. Ao ler o que tinhas escrito não mexeu comigo, foi totalmente indiferente. Agradece esta minha atitude a ti, só a ti. Apesar de ter muitas saudades de falar contigo, de partilhar o meu dia a dia contigo, de rir contigo, de ser tua cúmplice,  não faz com que te perdoe. Acho que ainda não meteste bem na cabeça o que fizeste comigo, digo isto porque na mensagem não mencionaste um pedido de desculpa nem nada de semelhante. Afinal pensas que “desliguei” de ti porque razão? Não deixaste de preencher o meu dia porque me apeteceu, deixaste de o fazer pelas tuas atitudes, atitudes essas que ainda hoje não compreendo. O sentimento de culpa, não reina em ti, mas também o sentimento de perdoar-te não reina em mim, nem de perdoar-te nem de tentar falar contigo para perceber o que vai na tua cabeça. As palavras que me escreveste, só foram ditas porque agora caíste no fundo e precisas de alguém que te ature, aí entro eu no teu pensamento. Isso não é amizade. Já passaram horas e ainda não te respondi, não mereces.
     E agora deves estar  a pensar : “Porque não dizes nada?”, eu estive sempre aí quando precisaste, e tu estiveste aqui quando eu mais necessitei? Eu não chamei por ti é verdade, mas já devias saber ler os meus olhos e ver quando não estou bem. Eu sei ler perfeitamente os teus olhos mas para ti tornei-me cega. 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Afinal, eu estou para o quê?



  Ainda no outro dia conseguia acordar, olhar para a mesa de cabeceira e não ter a sensação de pegar no telemóvel para ver se tinha um " bom dia " dado por ti. Conseguia ouvir uma música e não me lembrar de ti. Tinha a capacidade de passar por tua casa e não olhar para a janela do teu quarto, porque já não me lembrava de ti ou fingia que não me recordava dos momentos passados ali contigo. Também consegui apagar todas as recordações que tinhas tuas. Quando referiam o teu nome, já não o associava a ti, mas a outra pessoa com o mesmo nome que tu. Durante este tempo foi como se tivesses desaparecido da minha consciência.
  Mas tudo tem um limite , e a minha resistência a ti sem eu me aperceber também tem, e percebi isso demasiado tarde, talvez. Quando mais uma vez estava a passar pela tua casa, sem dar por isso, reparei em dois corpos em direcção a mim . Ao longe pareciam bastante íntimos, até que consegui perceber que eras tu quando estavas a um metro de distância de mim. Se calhar não te reconheci antes disso, porque não queria acreditar que eras tu, mas agora percebo que consegui identificar-te assim que te vi ao longe. Nesse momento toda a minha capacidade de resistência desapareceu, e recordei tudo o que tinha passado contigo num ápice como se tivesse a ver um filme, com isto não tive coragem para te dizer " olá " com medo que a minha boca ganhasse vida e dissesse algo disparatado. Passado um bocado olhei para trás e ainda continuavas a caminhar com ela. " Se ela está para ti, eu estou para o quê?" é a pergunta que persiste até hoje.
  Tendo em conta que a partir daquele momento perdi as minhas resistências, admito que não consigo estar para mais ninguém a não ser para ti. Afinal, eu estou para o quê?