Finalmente puseste o teu orgulho de lado e
tiveste a decência de vir falar comigo. Pensava que fosses mais forte e
enfrentasses o problema pessoalmente, porque não? Seria possível, até porque os
nossos olhares cruzam-se todos os dias.
Fiquei
surpreendida, admito, quando abri a mensagem, não fazia ideia que fosse tua,
para ti dizia o essencial: ”Preciso muito de ti, amo-te”, mas para mim não
foi nada demais. Ao ler o que tinhas escrito não mexeu comigo, foi totalmente
indiferente. Agradece esta minha atitude
a ti, só a ti. Apesar de ter muitas saudades de falar contigo, de partilhar o
meu dia a dia contigo, de rir contigo, de ser tua cúmplice, não faz com que te perdoe. Acho que ainda não
meteste bem na cabeça o que fizeste comigo, digo isto porque na mensagem não
mencionaste um pedido de desculpa nem nada de semelhante. Afinal pensas que “desliguei” de ti porque razão? Não deixaste de preencher o meu dia porque me
apeteceu, deixaste de o fazer pelas tuas atitudes, atitudes essas que ainda
hoje não compreendo. O sentimento de culpa, não reina em ti, mas também o
sentimento de perdoar-te não reina em mim, nem de perdoar-te nem de tentar
falar contigo para perceber o que vai na tua cabeça. As palavras que me
escreveste, só foram ditas porque agora caíste no fundo e precisas de alguém
que te ature, aí entro eu no teu pensamento. Isso não é amizade. Já passaram
horas e ainda não te respondi, não mereces.
E agora deves
estar a pensar : “Porque não dizes
nada?”, eu estive sempre aí quando precisaste, e tu estiveste aqui quando eu
mais necessitei? Eu não chamei por ti é verdade, mas já devias saber ler os
meus olhos e ver quando não estou bem. Eu sei ler perfeitamente os teus olhos
mas para ti tornei-me cega.
