“O problema foi
por ser sempre demais. Eras tu a ser sempre demais, nós a sermos demais, o meu
sentimento a ser demais. Até o tempo se tornou demais. Eu acabei por ficar a
mais de tantos demais que haviam e ainda existem.
Isto não é mais que uma coisa a mais, procurei ficar-me pela metade, pela minha metade, quis que não fosses mais que a minha metade, achei conseguir substituir(-te), mas isto não é amor, meu amor, é mais que amar-te, são todos os “amar” da terra juntos.
Isto não é mais que uma coisa a mais, procurei ficar-me pela metade, pela minha metade, quis que não fosses mais que a minha metade, achei conseguir substituir(-te), mas isto não é amor, meu amor, é mais que amar-te, são todos os “amar” da terra juntos.
Quando me pedem para definir a dor, só sei
que me dói, dói-me pelo corpo todo, a tua ausência magoa mais que qualquer
outra coisa. Custa-me ver os teus dias tão cheios e os meus dias tão vazios de
ti. Nós éramos uma mistura de tudo e nada, que completava todos os poros da minha
pele, estás em mim por todo o lado. Ainda és quase tudo na minha vida, ainda és
tudo quando me refiro ao coração. És o impossível que alcanço todos os dias.
Não há um dia na minha vida em que não estejas em mim, em que não sobrevoes nos
meus pensamentos minuto a minuto, estás em mim em tudo o que ainda sou, e em
tudo o que ainda faço. Parece impossível não é? Mas o parecer é sempre tão
relativo…
“Como é
que se ama alguém que já nem está para ai virado?”, perguntaram-me no outro
dia. É fácil… Fácil demais, o amor nunca morre quando acaba, há sempre um dos
dois que fica com feridas talvez até ao resto da vida, a frase feita de que
tudo se esquece, não é mais que uma mentira, há coisas que nos marcam até ao fim,
é como se eu caísse e ficasse com uma cicatriz até ao fim da vida, é isso, há
pessoas que são a nossa cicatriz “para sempre”. Tu de certa maneira marcaste
toda a diferença. Marcaste pelo melhor e pelo pior. Marcaste tanto que passado
este tempo todo ainda me apaixono todos os dias por ti, mesmo tu nem estando
para aqui virado. É ficar sempre do outro lado da caixa a ver sem poder tocar,
a desejar o melhor sem poder dizer, ver-te e sobretudo observar-te.
Eu guardei memórias do melhor de ti e do
pior de nós. Amei-te em todos os milésimos de segundo. É como ir a trezentos
numa auto-estrada e aparecer um carro de frente, foi um embate, que acabou
comigo, sobrevive-se mas já quase nem se vive. Ou se sobrevive, ou se apaga de
vez. Há dias em que quase que vivo, e outros em que quase me apago.
E isto não passa
num instante, por não te ter como um constante na minha vida.“
