


Nunca tinha visto o mar tão revolto - as ondas chegavam à costa com tal brutalidade que quase engoliam a encosta. Ondas violentas, muito maiores que eu, cheias de espuma, carregadas de ódio. Foi a imagem mais linda que vi. O som, o cheiro e o vento a passar pelo meu corpo arrepiavam-me e isto era como um convite irrecusável. E nós éramos assim. Ondas salgadas, espumosas, revoltadas, intocáveis. Quem olhava para nós, sentia o perigo, o ódio recíproco, a loucura, a obsessão, a coragem. Mas como todas as ondas, elas terminam e nós não fomos de todo exceção à regra. Ondas calmas, pacíficas, harmoniosas, acolhedoras ocuparam o nosso mar. Fecho os olhos diante da monstruosa paisagem e espero que os meus ossos se transformem em ferrugem ou sal.
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