A ler

Pessoas curiosas

quarta-feira, 28 de março de 2012

O passado


"Tudo o que aconteceu antes, é uma folha seca que caiu de uma árvore morta. A árvore foi cortada. A folha, esmagada por pés, misturou-se com a terra, por isso, agora, só existe a lembrança de árvores...Eu sou a doença que corrói a casca das árvores. Sou ferrugem e gravidade. Nos meus sonhos estamos de novo juntos e a minha mãe está feliz. Mas, depois, todas as folhas caem das árvores... e o meu pai vai-se embora. Chamo por ele, mas onde quer que ele esteja, não me pode ouvir."

segunda-feira, 26 de março de 2012

Homem da minha vida



   Enquanto vagueio pelas ruas, penso em ti. Não sei porque surges no meu pensamento, podia estar a pensar noutra coisa qualquer mas és tu que preenches a minha cabeça por completo.
   Tu ainda não apareceste na minha vida, ou se apareceste andas escondido sem dizer-me nada, ou até já podes ter aparecido e fazeres parte do meu dia-a-dia mas por alguma razão ainda não foi o momento certo para ficarmos juntos. Eu tento imaginar a tua imagem, mas formo sempre na minha consciência o retrato de um homem perfeito mas eu não posso pensar desta maneira, afinal ninguém é perfeito. Eu até já te posso ter visto por aí e nem te ter ligado nenhuma. Já nos podemos ter encontrado por acaso num centro comercial ou numa praia. Será que ainda andamos escondidos um do outro e tu estás no outro lado do mundo?
   Eu quero fazer-te o homem mais feliz de todo o planeta mesmo com os meus defeitos a atormentarem-te. Posso confessar-te que quando quero sou bastante persistente ao ponto de ser chata. Preciso que falem, me abanem para eu conseguir acordar, e quando começo a abrir os olhos digo logo :” Não não não! Logo tenho de deitar-me mais cedo” coisa que raramente acontece. Vão ser raros os dias em que não me vejas a sair de casa com o cabelo molhado mesmo no Inverno, tu certamente bom companheiro como serás vais avisar-me: “Não tomes banho de manhã, depois diz que te dói a garganta” e eu nem vou responder. Vão ser poucas as vezes que vais conseguir ver-me a lavar a loiça porque já o faço e é contrariada. Muitas vezes vou discutir contigo por coisas ridículas, como por exemplo deixares a pasta dos dentes aberta ou algo assim. Mas não me dês ouvidos nesses momentos, pois até eu sei que não vale a pena. Vai haver dias em que vou estar um bocadinho mais insuportável que o normal, mas quase todas as mulheres têm esse sintoma, portanto tenta compreender-me nesses dias mais nublados.
   Em contrapartida, nos dias menos cinzentos, praticamente céu limpo vou compensar-te dos dias mais nublados que te provoco. Quando acordar, e disser a minha frase habitual, vou olhar para o lado e ter-te ali, e nesse instante tu vais ser a inspiração para o meu dia. Vou começar a influenciar-te desde o início para tomares banho pela manhã e assim já não poderás reclamar comigo. Possivelmente não me verás muitas vezes a lavar a loiça é verdade mas se estiveres a ajudar-me talvez acabe por faze-lo. Nos dias mais cinzentos quero deitar-me no sofá contigo a ver um filme, quero ir passear contigo a um sítio que gostes, quero que façamos de tudo de forma a diminuir a probabilidade de discussões. Eu vou mesmo fazer-te feliz, por ti irei correr riscos nem que sejam os mais perigosos.
  Não te esqueças que também vais ter de cumprir com a tua parte, não te peço para seres perfeito, peço sim para seres sempre sincero comigo e eu prometo-te o mesmo.
  Nestas ruas, cruzam-se comigo centenas e centenas de pessoas, contudo ainda não te tenho aqui ao meu lado a caminhar comigo mas também não tenho pressa, afinal o que tiver que ser será.

                                                                                                                                       

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palavras para quê?

                                                             "Quando o sentimento é grande, as palavras não chegam"

segunda-feira, 19 de março de 2012

Uma chamada e uma visita


Ela: Oh… Olá. Já paraste para pensar no tempo que estamos a desperdiçar por uma discussão patética? Podias estar aqui ao meu lado a contar-me como tinha sido o teu dia e por causa disso ainda podíamos rir à gargalhada por coisas engraçadas que te acontecem diariamente. Por fim, meio desprevenido, dava-te um beijo meio envergonhado, e tu dizias-me “conta-me lá agora o teu dia oh” e eu dizia-te para não desperdiçarmos tempo com o meu dia sem graça nenhuma. Mas tu não estás aqui, nem no nosso quarto, nem da nossa sala, nem em parte nenhuma da casa. Estamos separados fisicamente mas continuo a pensar em ti o dia todo.
Ele: Sim sim, tu sabes...
Ela: Não não. Não me interrompas! Estou a ligar-te para perguntar-te se achas que vale a pena estarmos assim por uma discussão sem fundamento. Mas espera, não precisas de responder-me, eu só te queria dizer isto, dizer-te o que sinto. Eu não quero discutir mais contigo. Agora vou ter de ir preparar o jantar e ainda tenho cá aquele gelado que deixaste, talvez hoje coma um bocadinho, é realmente bom, já sei porque gostas tanto! Vou começar a comprar aquele gelado todos os dias, como tu fazes. Admito que é uma forma de te sentir por perto. Bem…
Ele: Eu vou já para aí.
Ela: Queres assim tanto gelado?
Ele: Sim, acabou cá em casa. Não tonta, vou aí porque te amo. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Memória, vens agora?



  Enquanto fazia uma arrumação profunda ao meu armário que coleciona os meus primeiros livros até ao último que comprei, senti algo cair nos meus pés. Depois de pousar os milhões de livros que tinha nos meus braços consegui ver o que tinha caído de dentro de um livro, apenas uma fotografia.
  Estava rodeada de coisas que marcaram a minha infância, os livros, a fotografia, os desenhos que fazia para oferecer à minha mãe, mas por onde andavam as memórias? Eu não me recordo de nada. Não me recordo de ler aqueles livros nem de fazer desenhos para oferecer à minha mãe, talvez em troca de ela comprar-me uma barbie, muito menos lembro-me de tirar uma fotografia a andar de baloiço. Por onde andam memórias?
  Eu adorava lembrar-me dos dias em que acordava de manhã para ir ver desenhos animados para a sala, de ir para a cama dos meus pais aos domingos de manhã na esperança que eles acordassem e se levantassem para irmos ao parque jogar à bola. Gostava de lembrar-me do meu primeiro dia de aulas e de como eram as manhãs cá em casa, deviam ser atarefadas, sempre ouvi dizer que me recusava a ir à escola. Será que todas as pessoas que se deram comigo nesse tempo, ainda se lembram de mim? Eu gostava de lembrar-me delas. Gostava de saber com quem é que jogava às escondidas. Adorava ainda ter todos os meus brinquedos, admito que ainda guardo alguns, mas vão perdendo o significado ao longo do tempo, pois a memória já teve melhores dias, e para quê guardar uma coisa que daqui a uns tempos nem sequer me vou lembrar que é minha?
   Oh memória, tu ás vezes voltas, e eu aproveito esses momentos para expressar todas as lembranças que me dás num papel, mas às vezes não vens nas melhores alturas. Por vezes quando passo ao lado da escola onde aprendi as bases de quem sou hoje, tu trazes-me recordações, por vezes visões, deparo-me comigo a correr ali, sorridente, a gritar, com as bochechas já rosadas mas nota-se que estava feliz! Mas nesse momento eu não tenho tempo para pegar num papel e descrever aquilo que vejo.
   Vem agora, eu tenho tempo e papel que chegue. 

terça-feira, 13 de março de 2012

Sorrisos



   Nasci para sorrir e para fazer os outros sorrirem. Um sorriso é como um segredo, demonstra coisas que só um bom interprete consegue perceber.
   Eu sinto falta de sorrisos sinceros. Gosto de ver sorrisos espontâneos e com uma música de fundo, conhecida como gargalhada. Confesso que a maior parte do dia passo a sorrir e quando não sorrio o meu olhar fala por mim. Tenho um sorriso nervoso, envergonhado e espontâneo, tudo depende do momento que estiver a passar. Admito que por vezes um sorriso vale mais do que mil palavras e eu prefiro entender um sorriso do que entender uma frase.
   Até os momentos menos bons podem ser passados com o sorriso, uma conversa “ proibida “ pode ter a presença de um sorriso. Acredito que um sorriso se vai construindo ao longo dos dias, é uma tarefa diária, pois a vida tem que ter um toque de humor. 
  
                                                                                                                                                (Verídico) 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Lápis, caneta, borracha



       Nós temos um livro que todos desconhecem. Eu era o lápis, tu a caneta e ela a borracha.
       No início da nossa história, a nossa primeira página, estava tão linda! Fizemos uma letra perfeita, eu não queria que tu pensasses que eu tinha uma letra horrível e tu deves ter feita uma letra tão bonita pelo mesmo motivo. Eu passava os dias a escrever e tu auxiliavas-me, eu escrevia em todas as páginas que podia e insistia que passasses por cima do que eu tinha escrito para ninguém poder apagar as minhas doces palavras. Eu pensava que tu a meio da noite fazias o que eu te tinha pedido…
      Agora quando abro o livro que tanto me empenhei a escrever para ti, não vejo nada a não ser as folhas brancas. Afinal, gastei minutos, horas, dias da minha vida a escrever para ti para quê? Eu pensei que tu por entre linhas compreendesses aquilo que eu te queria transmitir. Trocaste palavras doces de um lápis pela querida e tua amiga borracha.
     Visto que apagaste todas as minhas palavras, podes também apagar-te do meu coração?

domingo, 4 de março de 2012

Escrever


" Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada dizer." 

sábado, 3 de março de 2012

Um bocadinho de mim



Gosto de responsabilidade. Gosto de saltar. Gosto do silêncio. Não gosto que invadam o meu espaço sem pedir autorização. Gosto do exagero. Gosto de escrever. Gosto de ler. Gosto de drama. Gosto de ouvir historias de amor. Gosto de dar e receber. Gosto de fotografia. Gosto de olhos azuis. Não gosto de atrasos. Gosto de confrontos. Não gosto que as pessoas não assumam o erro. Não gosto de conflitos. Gosto de sorrir. Gosto da sensação de estar nervosa. Gosto de luz mas também das sombras. Gosto da ternura. Gosto daqueles de quem gosto. Gosto de ouvir música. Gosto de acordar tarde. Gosto da cor do céu e do mar. Gosto de aprender e ensinar. Gosto de ouvir o som da chuva. Gosto de falar e ouvir. Gosto de dizer " sim ". Gosto de pessoas positivas. Gosto de sonhar e realizar os meus sonhos. Gostei de muita gente, que hoje em dia já não gosto. Gosto de fazer rir. Gosto de aconselhar quando me pedem ajuda. Gosto de gelado de morango. Gosto da minha família. Gosto do nome Luz. Gosto cada vez mais do meu nome. Gosto de ver beleza natural. Gosto de ver o por do sol na praia. Gosto de ser abraçada de repente. Gosto de desenhar. Gosto de pensar no escuro. Gosto de chocolate quente nas tardes de inverno. Gosto de ver filmes acompanhada. Gosto de falar ao telemóvel. Gosto de olhar nos olhos, coisa que antigamente não gostava. Gosto de anéis, fios e pulseiras. Gosto de vestir roupa branca. Gosto que me sussurrem ao ouvido. Gosto de receber um “ bom dia “ logo pela manhã. Gosto de olhar para o céu limpo à noite. Não gosto de trovoada. Não gosto de pessoas que estão sempre a lamentar-se. Não gosto que me olhem de cima a baixo. Não gosto de leite natural. Não gosto de esperar. Não gosto de caras sérias. Não gosto de lâmpadas de cor branca. Já gostei de sopa. Já gostei de acordar cedo para ir ver televisão. Gosto de histórias infantis. Gosto de passear. Gosto de andar de autocarro. Não gosto das cadeiras da escola. Gosto de Cascais. Não gosto de ouvir palavras que se tornaram banais nos dias de hoje. Gosto de vaidade. Gosto de entrelaçar as mãos. Gosto de coisas que não devia de gostar. Gosto da ideia que os gostos vão alterando-se. 


                                                                                                                                           (Verídico) 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Não acreditei



Hoje ouvi:"As lágrimas de uma mulher são como ácido na alma de um homem" . E eu não acreditei.

                                                                                                                                   (Verídico)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Demais



“O problema foi por ser sempre demais. Eras tu a ser sempre demais, nós a sermos demais, o meu sentimento a ser demais. Até o tempo se tornou demais. Eu acabei por ficar a mais de tantos demais que haviam e ainda existem.
  Isto não é mais que uma coisa a mais, procurei ficar-me pela metade, pela minha metade, quis que não fosses mais que a minha metade, achei conseguir substituir(-te), mas isto não é amor, meu amor, é mais que amar-te, são todos os “amar” da terra juntos.
  Quando me pedem para definir a dor, só sei que me dói, dói-me pelo corpo todo, a tua ausência magoa mais que qualquer outra coisa. Custa-me ver os teus dias tão cheios e os meus dias tão vazios de ti. Nós éramos uma mistura de tudo e nada, que completava todos os poros da minha pele, estás em mim por todo o lado. Ainda és quase tudo na minha vida, ainda és tudo quando me refiro ao coração. És o impossível que alcanço todos os dias. Não há um dia na minha vida em que não estejas em mim, em que não sobrevoes nos meus pensamentos minuto a minuto, estás em mim em tudo o que ainda sou, e em tudo o que ainda faço. Parece impossível não é? Mas o parecer é sempre tão relativo…
  “Como é que se ama alguém que já nem está para ai virado?”, perguntaram-me no outro dia. É fácil… Fácil demais, o amor nunca morre quando acaba, há sempre um dos dois que fica com feridas talvez até ao resto da vida, a frase feita de que tudo se esquece, não é mais que uma mentira, há coisas que nos marcam até ao fim, é como se eu caísse e ficasse com uma cicatriz até ao fim da vida, é isso, há pessoas que são a nossa cicatriz “para sempre”. Tu de certa maneira marcaste toda a diferença. Marcaste pelo melhor e pelo pior. Marcaste tanto que passado este tempo todo ainda me apaixono todos os dias por ti, mesmo tu nem estando para aqui virado. É ficar sempre do outro lado da caixa a ver sem poder tocar, a desejar o melhor sem poder dizer, ver-te e sobretudo observar-te.
   Eu guardei memórias do melhor de ti e do pior de nós. Amei-te em todos os milésimos de segundo. É como ir a trezentos numa auto-estrada e aparecer um carro de frente, foi um embate, que acabou comigo, sobrevive-se mas já quase nem se vive. Ou se sobrevive, ou se apaga de vez. Há dias em que quase que vivo, e outros em que quase me apago.
E isto não passa num instante, por não te ter como um constante na minha vida.“