sábado, 2 de fevereiro de 2013
Seja qual for o sabor dos meus lábios
Ultimamente tenho acordado sozinho, sem o barulho da água a correr enquanto ela tomava banho, ou o som do microondas a funcionar, ou a ausência do ruído da televisão ligada.
O lugar que ela ocupava na minha cama, já está ocupado. Aquele pedaço de vidro igual a tantos outros que se tornou meu amante para o resto das madrugadas da minha vida. Não amo de todo o vidro que dá forma ao objecto, mas sim a anestesia que o seu conteúdo me proporciona em noites onde o luar já não te traz para perto de mim. Um pedaço de vidro que não me dá amor como ela. O lugar onde ela dormia já não tem o cheiro dela. Agora o cheiro é intenso, o lençol já não é branco. Nem mil lavagens na máquina lhe tiram os restos de álcool e o ácido das lágrimas no tecido, tal como nem mil madrugadas a vão tirar do meu pensamento.
Por vezes acordo com o barulho de algo a partir e penso que és tu a deixar cair um copo, como tu eras desastrada. Por momentos solto um sorriso, e volto a sentir-me em casa na minha própria casa. Levanto-me para ir ver-te e vejo pedaços de vidro no chão do quarto. É agonizante mexer-me demais durante o sono.
Antes do meu sangue se transformar em álcool, vem ter comigo e salva-me. Estou cansado de jogar ás escondidas e não conseguir encontrar-te. Tudo o que eu mais quero é o sabor dos teus lábios.
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