A ler

Pessoas curiosas

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Silêncio


"- Não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio."

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os relógios que nos comandam



   O Mundo está sob um cronómetro que ninguém consegue parar.
   Vivemos em função do tempo, ele é o comandante da nossa rotina diária. Tudo se baseia no tempo.
Diariamente vejo pessoas a correrem para o trabalho para não chegarem atrasadas, conheço pessoas stressadas, o autocarro de manhã está sempre cheio e quando por algum motivo o autocarro para por breves minutos, alguém diz para o motorista:” Pode despachar-se?”- pois esse alguém tem algum compromisso, nem que seja uma consulta, uma reunião, levar o filho á escola, ir ás compras…-  Essa pessoa vive a correr, não tem tempo para observar o céu, o sol, as formigas que ele pisa… A Natureza da vida! Será que esse alguém consegue reparar nas pessoas que o rodeiam?
   Devia haver um dia onde não houvesse tempo, onde não houvesse a existência de relógios nos pulsos das pessoas, nos telemóveis, na ruas; Um dia em que o relógio gigantesco e maldoso não nos comandasse.
Nesse dia não havia pessoas a correrem stressadas, não víamos as ruas tão cheias, possivelmente conseguíamos ver pessoas a olharem para coisas que nunca repararam, como os pormenores do chão que pisam diariamente, os detalhes de um monumento, nesse dia, as pessoas iriam dar valor ás coisas que não notam no dia-a-dia.
   E se esse dia existisse mesmo, nunca mais iria haver tempo, nunca mais iriamos ver relógios nos pulsos das pessoas a comandarem corpos. Nunca mais iriamos acordar com o “ pi pi pi” do nosso despertador, nunca mais ouviríamos alguém dizer :” isto é uma perda de tempo” , pois não havia tempo, podíamos arriscar porque teríamos a certeza que números não iam comandar a nossa vida.
  Alguém pode dizer-me onde está o relógio que comanda o nosso Mundo? Digam-me, eu quero tirar-lhe as pilhas ou parar de lhe dar corda ou até mesmo meter no  “stop". 
    
                                                                                                                                (Verídico)

sábado, 14 de abril de 2012

Aprende-se sempre qualquer coisa



    Tento pensar nas minhas memórias loucas e ingénuas, até chegar ao ponto que me deparo que já aprendi imensas coisas por causa delas ao longo do tempo.
    Fundamentalmente aprendi que aprendo com os meus próprios erros e confesso que já cometi alguns. Aprendi que crescer não significa fazer anos; que amores eternos podem ficar por uma noite; que conquistamos as pessoas mostrando aquilo que somos e até os grandes amigos podem tornar-se nossos inimigos; que uma bela face esconde muitos defeitos; que o “nunca mais” nunca se cumpre e que o “para sempre” sempre acaba; que uma palavra ou gesto pode alegrar o nosso dia; que só devemos dar a nossa opinião quando nos pedem; que hoje brincamos mas amanhã podemos ser o brinquedo; que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno; que perdoar não significa esquecer.
    Vou tentar mais uma vez arrumar as minhas memórias e arrumá-las em gavetas bem fechadas e deitar a chave fora, afinal de contas aprendi imenso com elas e agora só tenho de pensar que o tempo está a meu favor.

                                                                                                                                    (Verídico) 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Duas perspectivas



  (Pensamento de uma mulher) 
  Enquanto espero por ele, vou reparando na paisagem bela que me rodeia.
  Estou numa esplanada de um café onde posso observar o imenso mar azul, ao longe, quase no horizonte consigo ver um navio, quando olho para baixo, vejo pessoas na praia, umas na toalha a bronzearem-se, outras na água a boiar e consigo ver as crianças a brincar, algumas a correr, outras a fazerem castelos de areia, o céu está azul e o sol está no alto muito brilhante. Ao meu lado tenho pessoas a beberem café e a conversarem. Um pouco atrás de mim está uma senhora muito atarefada com um bebé ao colo a chorar.
Estava a olhar para a praia, enquanto oiço alguém a sentar-se, o barulho da cadeira a raspar no chão fez-me arrepiar. Era ele, finalmente. Oh como estava lindo! Já o vi tantas vezes, mas hoje está diferente aos meus olhos.
  Veste uma t-shirt verde com um logótipo muito engraçado, demonstra um pouco a sua personalidade, tinha uns calções de ganga e calçava uns ténis, que por acaso fui eu que os ofereci. Faz-se acompanhar por uma prancha de surf o que distrai o bebé que chorava atrás de mim.
  Creio que está um pouco incomodado, pois o reflexo do sol na mesa encadeia-lhe os olhos castanhos, quando vejo aqueles olhos fazem  tanto lembrar-me tudo aquilo que já passei com ele, para mim aqueles olhos contam-me uma história, admito que evito olhar-lhe nos olhos, por medo de cair naquela história tão perfeita.
  E quando ele fala, o meu mundo pára por completo, tem uma voz  tão melancólica, o que se passa com ele? Eu lembro-me, a voz dele não era assim, era uma voz que me transmitia alegria.
  Para evitar aquele olhar feroz e ouvir apenas aquela voz, olho para a mesa e vejo o meu reflexo, e toco na mesa, como se tivesse a tocar na minha face, acaricio a minha cara, tal como ele me fazia e tento relembrar-me do toque dele, era um toque quente e fazia-me sentir segura. A mão dele está também sobre a mesa a pouca distância da minha.
 Está na altura de agarrar-lhe na mão e perguntar-lhe o que se passa com ele. 



  (Pensamento de um homem)
  Estava eu sentado á sua frente quando reparei bem o quanto ela era bonita, apesar de já a ter visto infinitas vezes, naquele dia ela parecia diferente. Não sei se era porque se tinha arranjado melhor, o que duvido, ou se porque poderia ser a última vez que a veria. Aquele cabelo loiro encaracolado tão brilhante, que sobressaía com a sua pele bronzeada devido ao sol que tinha apanhado no Brasil. Aqueles olhos azuis mais límpidos do que o próprio mar e céu que nos rodeava naquela tarde calma na esplanada. Aqueles lábios carnudos pintados com um tom vermelho, tão vivo que pareciam chamar-me. Aquele vestido branco rendado que lhe aperfeiçoava a silhueta, e que realçava ainda mais a sua beleza. Aqueles vários acessórios, desde relógios caros com várias cores a anéis cintilantes, colares de pérolas e brincos que faziam barulho como os espantam espíritos. Aquela beleza toda dela, que só agora eu tinha reparado com mais pormenor, talvez tarde demais…
  Ela é simples, não gosta de grandes complicações, no entanto está sempre a arranjá-las. É compreensiva, simpática e de certo modo algo teimosa. É muito ciumenta, e não tem razões para isso. É despachada e odeia atrasos, coisa que eu várias vezes faço. Tem um grande sentido de humor, que só utiliza nos momentos indicados.
  Naquele momento, quando estava a olhar para ela, consegui ver perfeitamente as suas imperfeições e a sua beleza natural. Consegui ver os seus defeitos e as suas virtudes, e não queria que isso acabasse, portanto achei melhor contar-lhe tudo de uma rajada e não deixar mais suspense. Agora só quero tê-la aqui ao pé de mim.


(O segundo texto, "(Pensamento de um homem"),  não é da minha autoria mas sim de uma amiga minha, Rita Alves, que ajudou-me a criar duas perspectivas de um casal.) 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Quando o amor foge por entre os dedos


  Combinaram encontrar-se ás 18:00 num café em Lisboa.  Eu não acreditei quando me contaram que eles se iam encontrar, após tantos meses separados, que pareciam anos para ambos.Era Domingo, ela saiu de casa meio nervosa, pelas 17:45 para conseguir chegar a horas ao encontro, sem saber se o caminho que estava a percorrer era o correto. Contaram-me que ia de vestido e sandálias, e quando passava pela rua, todas as pessoas olhavam para ela. Hoje penso se seria pela sua beleza ou pelo barulho dos saltos altos na calçada.  Ele saiu de casa de um amigo onde agora passa os dias para distrair-se e afastar o pensamento dela. Mesmo tentando distrair-se ela ainda ocupa o seu dia-a-dia, o que lhe provoca um buraco no coração. Saiu também com algum tempo de antecedência para não chegar depois dela.  Na hora marcada, estavam os dois no café, sentados à espera um do outro. O problema é que não estavam no mesmo café, provavelmente entre as mensagens que trocaram um dos dois percebeu mal a indicação do café, então foi parar a um sítio totalmente diferente.Ela esperou uma hora por ele, pudesse ela adivinhar que ele também estaria na mesma situação que ela.  Desde aquele dia, nunca mais trocaram palavras como era habitual nos últimos dias, por causa de um mau entendimento de moradas, o grande amor fugiu-lhes por entre os dedos.Ela pensa que ele não apareceu por medo e ele pensa que ela não apareceu porque arranjou um novo amor.   


domingo, 1 de abril de 2012

Ilusões



"Não adianta olhares para o telefone mil vezes durante um minuto – isso não vai fazer com que a pessoa te ligue. Não adianta esperares ouvir o bater da porta, se sabes que a pessoa, pelo menos por agora, não vai chegar. Não adianta correres até ao outro lado da cidade, se tens a perfeita noção de que esse alguém não vai estar lá, do outro lado. Não adianta chorares para te certificares de que ainda vives, sem a tua “vida”, ou para teres a certeza de que a pessoa ainda vive em ti e está presente, pelo menos em cada lágrima. Mas é complicado, porque o telefone parece tocar de minuto a minuto, mas é ilusão; parece que ouves alguém bater na porta, mas são as saudades; do outro lado da cidade avistas alguém, mas não é quem tu querias – é só uma pessoa parecida à tal pessoa. Calma, aguenta, supera. Ninguém fica para sempre, mas também ninguém se vai para sempre. Eu te garanto.”