A ler

Pessoas curiosas

sábado, 28 de janeiro de 2012

Afinal, eu estou para o quê?



  Ainda no outro dia conseguia acordar, olhar para a mesa de cabeceira e não ter a sensação de pegar no telemóvel para ver se tinha um " bom dia " dado por ti. Conseguia ouvir uma música e não me lembrar de ti. Tinha a capacidade de passar por tua casa e não olhar para a janela do teu quarto, porque já não me lembrava de ti ou fingia que não me recordava dos momentos passados ali contigo. Também consegui apagar todas as recordações que tinhas tuas. Quando referiam o teu nome, já não o associava a ti, mas a outra pessoa com o mesmo nome que tu. Durante este tempo foi como se tivesses desaparecido da minha consciência.
  Mas tudo tem um limite , e a minha resistência a ti sem eu me aperceber também tem, e percebi isso demasiado tarde, talvez. Quando mais uma vez estava a passar pela tua casa, sem dar por isso, reparei em dois corpos em direcção a mim . Ao longe pareciam bastante íntimos, até que consegui perceber que eras tu quando estavas a um metro de distância de mim. Se calhar não te reconheci antes disso, porque não queria acreditar que eras tu, mas agora percebo que consegui identificar-te assim que te vi ao longe. Nesse momento toda a minha capacidade de resistência desapareceu, e recordei tudo o que tinha passado contigo num ápice como se tivesse a ver um filme, com isto não tive coragem para te dizer " olá " com medo que a minha boca ganhasse vida e dissesse algo disparatado. Passado um bocado olhei para trás e ainda continuavas a caminhar com ela. " Se ela está para ti, eu estou para o quê?" é a pergunta que persiste até hoje.
  Tendo em conta que a partir daquele momento perdi as minhas resistências, admito que não consigo estar para mais ninguém a não ser para ti. Afinal, eu estou para o quê?