Ainda no outro dia
conseguia acordar, olhar para a mesa de cabeceira e não ter a sensação de pegar
no telemóvel para ver se tinha um " bom dia " dado por ti. Conseguia
ouvir uma música e não me lembrar de ti. Tinha a capacidade de passar por tua
casa e não olhar para a janela do teu quarto, porque já não me lembrava de ti ou
fingia que não me recordava dos momentos passados ali contigo. Também consegui
apagar todas as recordações que tinhas tuas. Quando referiam o teu nome, já não
o associava a ti, mas a outra pessoa com o mesmo nome que tu. Durante este
tempo foi como se tivesses desaparecido da minha consciência.
Mas tudo tem um
limite , e a minha resistência a ti sem eu me aperceber também tem, e percebi
isso demasiado tarde, talvez. Quando mais uma vez estava a passar pela tua
casa, sem dar por isso, reparei em dois corpos em direcção a mim . Ao longe
pareciam bastante íntimos, até que consegui perceber que eras tu quando estavas
a um metro de distância de mim. Se calhar não te reconheci antes disso, porque
não queria acreditar que eras tu, mas agora percebo que consegui identificar-te
assim que te vi ao longe. Nesse momento toda a minha capacidade de resistência
desapareceu, e recordei tudo o que tinha passado contigo num ápice como se
tivesse a ver um filme, com isto não tive coragem para te dizer " olá
" com medo que a minha boca ganhasse vida e dissesse algo disparatado.
Passado um bocado olhei para trás e ainda continuavas a caminhar com ela.
" Se ela está para ti, eu estou para o quê?" é a pergunta que
persiste até hoje.
Tendo em conta que a
partir daquele momento perdi as minhas resistências, admito que não consigo
estar para mais ninguém a não ser para ti. Afinal, eu estou para o quê?
